Muita gente acha que DBS é “faz a cirurgia e pronto”. Isso está incorreto.
A cirurgia é só o começo. DBS é um tratamento crônico, que exige acompanhamento, ajustes finos e tempo. Em troca, quando bem indicada, entrega algo raro no Parkinson avançado: controle estável dos sintomas e ganho real de qualidade de vida.
O que é DBS, em termos simples
DBS significa estimulação cerebral profunda. São eletrodos implantados em regiões específicas do cérebro que controlam o movimento. Esses eletrodos emitem estímulos elétricos contínuos para modular circuitos que estão funcionando mal.
Não “cura” Parkinson. Não interrompe a doença.
Mas melhora sintomas motores que já não respondem bem ao tratamento clínico isolado.
Para quem DBS funciona
Aqui está o ponto mais importante — e o mais ignorado.
DBS não é para todos. Funciona quando:
- O diagnóstico é correto
- Os sintomas são predominantemente motores
- Há boa resposta prévia aos tratamentos convencionais
- Não existem contraindicações cognitivas ou psiquiátricas relevantes
Quando a indicação é frouxa, o resultado é ruim. Simples assim.
O custo real da DBS (o que quase ninguém explica)
Outro erro comum: olhar só o preço da cirurgia.
A conta verdadeira inclui:
- Avaliação detalhada pré-operatória
- Cirurgia em centro altamente especializado
- Programações frequentes no primeiro ano
- Ajustes ao longo dos anos
- Acompanhamento neurológico contínuo
Ou seja: DBS não acaba no centro cirúrgico.
Ela continua por anos — e isso custa tempo, estudo e investimento médico.
Então por que ainda vale a pena?
Porque, quando o paciente é bem indicado, o retorno é grande:
- Menos flutuação motora
- Redução importante da necessidade de medicações
- Mais previsibilidade ao longo do dia
- Mais autonomia
- Menos dependência funcional
Com o tempo, as consultas tendem a ficar mais espaçadas, e o controle se mantém mais estável do que antes da cirurgia.
DBS é cara? Sim.
Mas aqui vai a parte contraintuitiva:
👉 Não fazer DBS, quando ela é indicada, costuma sair mais caro ao longo dos anos.
Sem cirurgia, o custo cresce:
- Mais medicações
- Doses cada vez mais frequentes
- Combinações complexas
- Mais efeitos colaterais
- Mais quedas, internações e dependência
DBS tem custo alto no início. Depois, tende a estabilizar ou até reduzir o gasto global, além de devolver qualidade de vida — que não entra em planilha, mas muda tudo.
Conclusão
DBS não é solução mágica.
Não é simples.
Não é barata.
Mas, para o paciente certo, no momento certo, com acompanhamento sério, ela pode transformar a trajetória da doença.
O erro não é fazer DBS.
O erro é indicar mal — ou deixar de indicar quando já passou da hora.
Referências
- Deuschl G et al. Deep brain stimulation: current challenges and future directions. Lancet Neurology.
- Weaver FM et al. Bilateral deep brain stimulation vs best medical therapy. JAMA.
- Bronstein JM et al. Deep brain stimulation for Parkinson disease. Archives of Neurology.
- Movement Disorder Society. Evidence-Based Review of DBS in Parkinson’s Disease.